Reinações de Bebelices

Aventuras literárias

   jan 20

O fim da picada

O ano tem doze meses. E sei, que pelo menos, uma vez por ano, em um desses meses eu tenho um encontro marcado com uma senhora magra e pontiaguda, que me espeta e me cospe alguma coisa que eu não sei identificar. Só sei que me dá dor e sono. É a minha vacinação de cada ano, que caso eu morda alguém, minha mãe apresenta a minha carteira de vacinação, como um nada consta do PIS/PASEP.

Esse ano o encontro me pegou desprevinida. Geralmente, é sempre um ritual de: pega a coleira, depois pega a Lily e o Floc e, por fim, o carro e uma longa viagem de 20 minutos até a clínica veterinária, onde faço questão de deixar a minha marca registrada de uma maneira sólida. Nós, cães, fazemos xixi onde temos vontade. Mas, já o número 2, exige uma intimidade a mais com o lugar. Eu, descarada que sou, trato logo de deixar as coisas do meu jeito: Parque cremerie, jardins do Museu Imperial, sala de espera do dr. bonitão que o digam.

Dessa vez, numa pacífica manhã de novembro, fui surpreendida por um homem de jaleco branco que procurava a Tia Jacira, a felina. Sabe, as coisas têm sido bem difíceis para ela. Um fungo resolveu fazer uma mansão no nariz dela. Resultado, a tia respira com dificuldade.  O jaleco branco a examinou e ficou calado. Acho que era porque estava interessado em perfurar duas vezes o meu tecido adiposo e ainda rir e falar que eu sou uma graça. Me furando duas vezes, o mínimo que ele poderia falar era isso, né?

Senti pelo Floc. O bicho anda tão magrinho. Depois da vacina, passou dois dias sem poder subir na cama ou no sofá. Locomovia-se como se fosse um velhinho . No entanto, rapidinho ele sairia dali e nós estaríamos brincando. Uma coisa que nos chocou foi a forma abrupta como a Tia Jacira foi embora. Só me restou perguntar: será que a próxima seria eu?

Colocaram-na dentro de uma caixa de madeira com uns furinhos, passaram o trinco e deram para o homem de branco levar. Será que era algum tipo de negociação? O que a mamãe ganharia em troca? Acredito que não deve se ter muita coisa em troca quando se trata de uma felina highlander que tem doença de roseira. Foi triste. Ali, toda a realeza e pompa da tia Jacira cairam por terra em miados desesperados pedindo socorro. Tive medo que a mamãe pudesse fazer isso comigo num futuro próximo.

A casa ficou vazia e silenciosa. Não tinha mais o funga-funga da tia. Parecia que não era nem antirabica e nem octupla, e sim um boa noite cinderela. Dormimos o dia inteiro. Acordava e dava uma volta pela casa, caso a Tia Jacira resolvesse voltar. Nunca se sabe o que se passa na cabeça de um gato, muito menos quando se trata da jóia da família, que já passou por várias gerações.

Dois dias depois, o mesmo carro que levou a Tia reaparece. Mas agora a caixa de madeira não foi entregue pelo homem de jaleco branco, mas pelo homem de uniforme azul. Ela chegou como se fosse uma entrega de pizza. Chegou, vimos a embalagem, sentimos o cheiro e nem vimos mais a cor. Ela sumiu pelo jardim. Não sentiu frio e nem teve fome. Não fez barulho. Não fez nada. Parecia que estava magoada com a gente. Não estava afim de receber visitas.


   jul 30

O Frizz

Ai que saudade de vocês! Ai que saudade disso aqui! Minha mãe viajou por mais de um mês e me deixou sem palavras – ingrata. Já não me bastasse a saudade, fui obrigada a ficar muda. Tentei explicar para a vovó que eu queria que ela me colocasse em contato com vocês, mas sabem aquela história de vícios e virtudes? Pois é, Letroca e Freecell se encaixariam na classificação de vício ou virtude? Letroca, ao menos, me dá mais vocabulário. Eu só sabia ouvir: agora não, Lily. Argh! Por que gastei minha mesada toda em torradinhas? Poderia ter comprado um Macbook, assim, pelo menos os causos do Vale dos Esquilos não ficariam empoeirados ou esquecidos em algum lugar da minha mente.

Por aqui quase  tudo continua igual. Não sei como isso é possível, mas a cada dia que passa o Floc fica mais insuportável. Será que ele já está entrando na terceira idade? Resmunga de tudo. Quer tudo para ontem. Parece aquele senhorzinho cheio de manias. Acorda sempre cedo. Perturba o sono alheio. Depois, na hora do café da manhã late incessantemente até conseguir o pão nosso de cada dia. Se o pão estiver duro rosna para o pão, como se o pão tivesse culpa de estar duro. Chega a ser ridiculo. Até a hora que a mamãe pega o jornal para fazer barulho, e aí, sou eu que me desespero. Odeio barulhos e a minha vontade de voar no pescoço do Lhasa Apso só cresce. Só não faço porque ele tem frizz e eu poderia morrer sufocada com aquele pelo todo armado, parecendo uma senhorinha impregnada de laque.

Bem que mamãe fala que filhotes de recém casados, são sempre assim, um porre. Mimadinhos. Chatinhos. Sempre vítimas da própria existência, responsáveis pela preguiça alheia. Chega, se pendura na cadeira e faz olhar de cahorro que caiu da mudança para ganhar uma torradinha.

É por essas e outras que todo dia 4 de outubro acendo uma velinha para São Francisco de Assis e agradeço por ter uma mãe maravilhosa e por ter nascido com cabelo bom. Já pensou eu tendo que fazer escova progressiva ou botox nos pelos? Se eu tivesse nascido como o Floc eu já seria a primeira na porta do salão.  Ou na porta do psiquiatra?


   jun 12

Carta para minha afilhada Lily – Parte 2

Lily,

Como vai você? A Dinda está com saudade. Espero que a sua circunferência abdominal e a do Floc estejam as mesmas, senão quando sua mãe voltar o bicho vai pegar pro lado de vocês. Tente maneirar nas torradinhas e avisa ao Floc pra tomar cuidado com as bordinhas de pizza da vovó Mãenica… Vou fazer uma visita surpresa pra vistoriar a situação!

Bom, mas o motivo por estar te escrevendo é outro, já conhecido inclusive. Mais um mistério envolvendo abacates rondou a residência de cá hoje pela manhã. Como de costume, acordei e abri a porta para ver o sol e dar bom dia para suas amiguinhas Chèrie e Neguinha. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com a Neguinha (lembra dela, a cachorrinha medrosa do outro post?) aparentemente escoltando um lindo abacate! Parei e pensei “epa! Da outra vez já tínhamos resolvido que a ladra de abacates era a Chèrie… E a Neguinha nunca fui de comer frutas…”. Muito estranho.

Neguinha escoltando o abacate. Que estranho!

Nisso, aparece a Chèrie (ainda visivelmente roliça da comilança desenfreada de abacates que aconteceu nas últimas semanas), com aquele porte de ameaça para cima da Neguinha. Mais surpresa fiquei quando a Neguinha se eriçou com a aproximação repentina da Chèrie ao abacate… A princípio pensei que poderia ser uma coisa relacionada a um sentimento de posse “agora é meu, peguei e não devolvo”. Mas esse não era o perfil da Neguinha, até porque ela é medrosa, e a qualquer momento a Chèrie poderia reaver o abacate – que foi o que aconteceu, alguns instantes depois.

Pensei que agora estava tudo bem, o abacate estava com a sua dona por direito, a Neguinha ia se dar por vencida do seu capricho de posse… Mas não. A Dinda estava prestes a voltar pra dentro de casa, quando visualizei a carinha triste e desolada da Neguinha. Ela não estava sendo caprichosa e implicante, mas ela queria realmente aquele abacate. Fiquei consternada. Fiz um julgamento precipitado, achando que o abacate era inicialmente da Chèrie… Não era. Era da Neguinha, ela mesma foi buscar no pé de abacate – que, aliás, eu não sei onde fica até hoje.

Com meu espírito justiceiro, vesti minha capa de Robin Hood e fui buscar o abacate com a Chèrie. Ela relutou, deitou em cima, tentou agarrar o abacate com unhas e dentes, mas não deu certo, consegui pegar e devolvê-lo pra cadelinha medrosa. Achei que tudo estivesse resolvido, mas não é bem assim que as coisas funcionam nas bandas de cá… A Chèrie-valentona é uma espécie de cachorra bem peculiar, daquelas que gosta de fazer um terror psicológico no melhor estilo “te pego na saída”. Juro que se elas fossem crianças não tenho dúvidas que a Neguinha iria sofrer muito bullying da Chèrie… A danada não se deu por vencida, e se posicionou bem na frente da Neguinha e seu abacate, com o ar de “quando ela entrar em casa, eu vou pegar de volta”. Segurei o riso e comecei a pensar… Primeiro pensei em deixá-las resolverem o assunto sozinhas dali pra frente. Mas não poderia deixar aquilo acontecer. Conhecendo meu eleitorado como conheço, eu já sabia como ia terminar a história valentona-medrosa.

Minha decisão foi então a seguinte: peguei o abacate e dividi ao meio – não muito certinho, tentei deixar a maior parte pra Neguinha, numa tentativa de solidariedade e justiça. Dessa forma, ambas iriam desfrutar do abacate… Caso contrário, mais alguns quilinhos e centímetros extras de abdômen seriam adicionados apenas à Chèrie. O saldo final foram as cascas do abacate pelo quintal e a harmonia reinando por aqui. Ufa… Finalmente pude tomar meu café da manhã em paz.

Chèrie se deliciando com uma das metades do abacate...

...E a Neguinha com a outra. Mais uma "vegetariana" na família!

E foi assim que mais uma manhã transcorreu por aqui, Lily. Mande notícias das aventuras que tem acontecido pelo reino do Vale dos Esquilos.

Beijos com carinho,

Dinda.


   mai 25

Mais um cão nesse lar

Depois que tentei colocar a tia Jacira no cantinho das adoções recebi uma enxurrada de e-mails criticando a minha oferta.  Aquele papinho blasé dos mais velhos que não devemos fazer isso ou aquilo com os idosos. Aff, então vem para cá e atura o AuMiau dela. Isso porque o segundo passo seria colocar a felina no Mercado Livre – Onde você compra e vende tudo. Mas aí a galerinha dos Direitos Felinos iria bater aqui, interditar o meu blog, me deixar sem torradas e de castigo.

Então vou fazer uso do ditado: se não pode com eles, junte-se a eles. Pois bem, a tia Jacira vai se juntar ao meu time: vou transformá-la em um cão. O Floc não gostou nada dessa ideia, ele morre de medo dela, parece que ela é alguma coisa do demo. Eu acho que se o Floc fosse ter uma religião ele seria aqueles evangélicos pragmáticos do caso oblíquo: o senhor está comigo, contigo, conosco, convosco. Enquanto coloco o meu plano em prática, deixa o Floc orar para ver se o medo passa.

 Lição 1: fazer festa

Quando ouço o barulhinho do portão e é a mamãe chegando. Prontamente nos reunimos no hall de entrada. No início a tia ficava mal humorada, ia receber a mamãe toda cheia de resmungos.  Era um choque de ordem a cada barulhinho do portão até que ela se acostumou e hoje vai receber a mamãe cheia de graça. Mas como ela não sabe abanar o rabo como eu, ela joga a cauda lá para cima e fica fazendo um “s” com a pontinha. É muito engraçado. Mas a graça logo acaba porque daí ela começa a querer conversar, saber como foi o dia.

Lição 2: Está sempre alerta e proteger o território.

Um barulhinho no quintal já é motivo de estardalhaço sim. Só que como a tia Jacira mia toda hora é impossível dar crédito. Pelo menos quando eu começo o meu show, ela fica andando de uma lado para o outro da casa. Já é um progresso.

Lição 3: Inspirar confiança

Ser confiável hoje em dia é extremamente difícil, mas pelo menos faça um esforço para inspirar confiança. Os gatos tem aquele gênio insuportável de seres superiores. São precisos nos pulos e no ataque. Já nós cachorros somos de boa vida. Por exemplo, imagine três passarinhos dando sopa no quintal. O cachorro vai chegar latindo, espantando todos. Já o gato vem quieto, vem faceiro e ataca: penas e plumas para todos os lados. Só falta uma chuva de paêtes para coroar a caça! (Confesso que plumas foi um pouco over)

Lição 4: ter personalidade, sim. ser arrogante, não.

É preciso ser dócil, ser fofo. Se jogar no chão, virar de barriguinha para cima. Ensaiar brincadeiras: pega qualquer coisa, até uma meia serve. Eu e Floc fazemos cabo de guerra todas as manhãs para a mamãe, é uma farra daquelas. Fazer um pouco de graça faz bem. Elas rendem histórias como essa aqui.

Lição 5: pegar a pizza no portão.

Essa lição é a mais difícil para a tia Jacira. Talvez por timidez ou por vergonha. Ela sai pela porta da cozinha comigo e com o Floc e se perde. Eu lato num portão. O Floc no outro. E a Tia Jacira vai caçar lagartixa. Aff, que papila gustativa mais duvidosa. Enquanto eu e Floc curtimos as bordas da pizza – que a vovó dá escondido da mamãe.

Apesar da lagartixa, ela já aboliu a ração de gato, agora só come Royal Canin mini adult e faz algumas complementações alimentares jardim afora. Daqui a pouco ela também estará postando por aqui. Já pensou? Melhor não, né?


   mai 25

Carta para minha afilhada Lily

Lily,

A dinda tem vivenciado algumas situações no mínimo inusitadas aqui pelas bandas do Bingen. Apesar de os parentes (mãe e tios) da dinda jurarem de pés juntos que aqui em casa existe um abacateiro, eu particularmente nunca o vi. E é aí que começa o mistério…

Começaram a surgir caroços e cascas de abacate pelo quintal nesta época de outono. Coisa estranha. Bom, pelo menos ficou comprovada a veracidade da informação acima: existe abacate nessas terras. Mas quem estaria deixando os vestígios da comilança pelo quintal? Bom, eu não fui dada como suspeita, já que nem nunca vi o tal abacateiro. Minha mãe e os irmãos dela também não, já que estão sempre comentando sobre os abacates perdidos.

As principais suspeitas então recaíram sobre duas mocinhas de quatro patas que atendem pelos nomes de Neguinha e Chérie. A primeira, uma vira-latinha disfarçada de vaquinha do Milka, é magrinha e esperta, mas muito carente e medrosa e quase nunca fica sumida pelo quintal afora. A segunda, uma vira-lata idosa na casa dos 12 anos, tem cara de raposa e ponta de rabo branca, além de ser conhecida nas redondezas pelos seus feitos não muito ecológicos (acho que ela e tia Jacira se dariam muito bem, pois têm hábitos alimentares bem semelhantes – isso se a Chérie não resolvesse que a tia Jacira poderia ser uma boa pedida pro jantar).

Chérie e Neguinha pegando um solzinho

Dados os hábitos alimentares da Chérie e a falta de coragem da Neguinha, o meu trabalho de Sherlock Holmes dos abacates ficou bastante complicado. Fiquei dias me aventurando pelo quintal, caçando vestígios, provas e indícios enquanto que as cascas e caroços continuavam aparecendo, quase que como brotando da terra. Daí, tal qual desenho animado quando se tem uma ideia brilhante, uma lâmpada acendeu sobre a minha cabeça. Eureka!

As cascas e os caroços: quem seria o ladrão de abacates?

A tal cachorrinha Chérie, apesar de ter hábitos alimentares dignos de tia Jacira, gosta de saborear de vez em quando cascas de mamão. Lembrei-me disso porque, toda vez que a dinda come mamão no café da manhã, a Chérie vem pra porta pedir a casca não comida. Estava aí a chave do meu mistério. Comecei a observar que o pote de ração dela não estava se esvaziando como o normal. Passei então a segui-la, quase uma perseguição policial, mas a danada é astuta. Eis que, um belo dia, ela não contava com a minha chegada repentina. Peguei-a no flagra se deliciando com um abacate enorme… Como ela já havia sido flagrada, não se fez de rogada e continuou saboreando seu abacate. E aí eu vi algo surpreendente: ela ainda descasca os abacates! Não entendi bem, porque do mamão ela gosta da casca. Vai ver que a casca do abacate é amarga…

Pega no flagra!

Depois dessa descoberta, Lily, a paz voltou a reinar na casa da Dinda. Os únicos que não ficaram satisfeitos foram a mãe e tios da dinda, porque a Chérie não deixa sobrar nenhum abacate pra eles! Mas tenho certeza que, quando você quiser vir aqui para provar o famoso abacate, a Chérie dividirá com você!

Beijos com muito amor,

Dinda.


   mai 17

Brinde

Leve a Tia Jacira e ganhe esse manual de como decifrá-la sem custo adicional:

Posto isto, a Tia Jacira num só movimento de rabo consegue ser amorosa, irritada, nervosa... é melhor parar, né? Mas sempre muito carinhosa


   mai 17

Cantinho das doações

Doa-se gatinha idosa e meiga para fazer companhia a senhoras. É isso mesmo, estou colocando a minha Tia Jacira para fazer um bem maior por aqueles que precisam. Não aguento mais os miados dela no meio da noite, ou então, durante o dia para o nada. Isso me assusta. Isso deve ser falta do que fazer, é o tédio em forma de gato. Daqui a pouco ela deprime. Aí já viu, né? Tem dias que ela acorda hippie e quer fazer alimentação orgânica pelo jardim (leia-se caça). Em outros, ela acha que é cachorro e ensaia uns miados latidos pela casa que ficam assim: “miauAu, miauAu”.  Agora ela deu para se juntar comigo e com o Floc na recepção da pizza no portão e já está até aceitando biscrok. Ou seja está fugindo das origens. Então antes que a depressão maior tome conta dela, estou usando esse meio de divulgação para dar a oportunidade para ela fazer o que realmente gosta: ser dama de companhia de senhoras.  Se alguém tiver interesse pode comentar neste post e fazemos a entrega gratuita e ainda pagamos a ração, caso ela não se interesse pela biodiversidade da sua casa ou seu apartamento. Meus companheiros do Edifício 256 não se interessam não?


   mai 02

A estupidez humana

Os homens que me perdoem, mas os humanos são estúpidos.  Eles conseguem ter todas as bases para fazer uma matemática simples: como dois e dois darem quatro. Mas ainda assim, conseguem chegar a resultados como vinte e menos três. Como pode o mundo ser tão hipócrita e respirar aliviado depois da suposta morte de Osama Bin Laden. Os noticiários fazem o alarde. O presidente Obama faz um pronunciamento e o mundo inteiro comemora achando que agora é a paz mundial que vai reinar. A guerra ao terror está instinta apenas porque o seu maior vilão foi morto. Tolices. Até eu que sou um ser peludo, de quatro patas e faro apurado sei que esse negócio de Osama Bin Laden é como o desenvolvimento de uma cultura bacteriana: cresce numa proporção geométrica avassaladora.

Quando a notícia veio eu estava implicando com a bomba d´água do vizinho. Bastou a vinheta do Plantão da  Globo para desviar a minha atenção. Já pensei logo: Quem morreu? Que avião caiu? Aí veio a notícia espetacular, para muitos – estúpidos – a solução para a paz mundial: A “suposta”  morte de Osama Bin Laden. Vamos as teorias que confirmam a minha desconfiança:

1. É sabido que os Estados Unidos estavam um pouco “em baixa” nos noticiários. Faz tempo que ninguém sabe de algum ato heróico da nação da Doutrina Monroe para com o mundo. Primeiro, o Egito; depois, a Líbia e ainda no meio disso tudo, o casamento real. Não cabe aqui falar no varre-varre dos furacões, né? Obama estava passando seu mandato como uma árvore numa peça teatral.

2. Osama é sagaz, esperto e nunca subestimou a capacidade americana. Eu acho que ele ainda vive por aí e agora está preparando um ataque mor aos Estados Unidos. Vocês querem que eu acredite que Osama realmente entregou os pontos?

3. A minha terceira teoria é que Osama teve um ataque cardíaco e morreu. Antes que a notícia da morte se espalhasse, americanos localizaram o corpo e fizeram com que tudo parecesse um ato heróico. A morte do vilão.

Afora isso, não sei se foi o meu inglês que estava ruim, ou se foi examente isso o que eu ouvi na BBC: a justiça foi feita. Pergunto-lhes: matar alguém é uma forma de fazer justiça? Não teria sido melhor prendê-lo e fazê-lo comer o pão que o Bush amassou mil vezes? A morte de Osama trará inocentes que morreram durante o ataque de volta? Argh! Americanos, como são estúpidos! Deixam a raiva corroer a razão! Tornam-se refém do medo! Esse papo todo está me dando aquela vontade de dar uma volta no gramado, folhear a grama e … necessidades fisiológicas.

P.S –> Depois do “feito”, coloquei simbolicamente uma bandeirinha dos Estados Unidos, colada com durex num palito de dente. Está lá, rodeada de moscas, num canto do gramado.


   fev 18

Gelado Charme da Alta Burguesia

Imaginem aquele pedaço de Bacon. O cheiro já até me desorienta. Ou então a leveza do Creme; a refrescância da Menta;  a doçura do Morango e o tal do Chocolate. (Ops, chocolate para cachorro pode?) Agora imaginem tudo isso na legalidade para nós de quatro patas, sem a gente ter que furtar. Não é sonho não. Naquela onda de bifinhos, ossinhos, biscoitinhos, foi lançado também sorvete para cachorro. Um doce charme para a alta burguesia canina!  As fórmulas e receitas  são exclusivas, com teor reduzido de lactose, sem açúcar e livre de gordura trans.Hummm… Já que hoje estou exercitando a imaginação. Agora imaginem eu, em pleno Ibirapuera, cercada de labradores que falam carrrrne, pedindo um Ice Pet de “xocolate”?


   fev 17

Luto

Estou muito triste! Meu coleguinha da Cofap, o Junior, virou estrelinha, assim como a bisa. Dizem que ele foi envenenado. Não se dá para confiar mesmo na “bondade”  dos humanos.